DR. MUNDOO LOUCO DE ZAUN

 DR. MUNDOO LOUCO DE ZAUN

Uma única figura monstruosa vaga pelos corredores do infame manicômio de Zaun. Seus métodos são audaciosos, sua serra é afiada e seus pacientes estão sempre aterrorizados. Afinal, esse homem não é médico de verdade em lugar nenhum – apenas nos confins de sua própria imaginação.

Por mais que seu nome tenha se perdido em meio ao tempo e à memória, sabe-se que Dr. Mundo já foi o executor de um dos Barões da Química mais poderosos de Zaun. Conhecido por sua simpatia desajeitada, era surpreendentemente amigável para alguém que ganhava a vida intimidando as pessoas fisicamente. Estava sempre chamando alguém por um apelido amistoso, acompanhado de um tapinha nas costas, e, na maioria das vezes, não percebia que era muito inconveniente. Não demorou muito até que ele causasse alguma inconveniência a seu próprio chefe.

Determinado a fazer seu subordinado de exemplo, o Barão da Química o enviou para o Manicômio Osweld, um lugar conhecido por tratamentos desumanos e curas questionáveis. Enquanto o executor era envolvido por equipamentos de contenção e arrastado até a cela acolchoada mais bem vigiada do manicômio, o Barão acompanhava o procedimento com satisfação no olhar.

Mês após mês, Dr. Mundo sofria horrores inimagináveis nas mãos daqueles que deveriam ser seus cuidadores. Tratamentos experimentais eram aplicados sem nenhuma preocupação com o bem-estar do paciente. Nervos punçados, lóbulos danificados e remédios duvidosos administrados em doses altíssimas. Aquele executor começou a mudar... seu corpo, que já era grande, passou a ganhar mais e mais músculos a cada dia. Enquanto isso, seu cérebro sofria um destino muito pior. À medida que perdia as lembranças de sua vida passada, o executor lutava para tentar entender o mundo cruel em que agora vivia. Um dia, ele olhou para baixo e viu sua camisa de força, que se parecia muito com os jalecos brancos dos médicos que o cercavam.

Interpretando errado as palavras escritas em seu próprio uniforme, ele passou a assumir um novo nome e uma nova profissão.

“Acho que eu também sou médico. Senão, por que eu estaria em um manicômio deplorável como este?”, raciocinou ele. “E todas essas pessoas devem ser... os meus pacientes.”

Enfim, chegou o dia em que o Barão da Química iria até o manicômio para liberar seu executor. No entanto, para sua surpresa, não havia ninguém para recebê-lo no saguão de entrada. Os corredores estavam vazios e silenciosos, exceto pelo murmúrio incoerente e baixo que vinha de um paciente alucinado em um dos quartos no final do corredor.

O Barão foi até o quarto de onde vinha o barulho e se deparou com uma visão horrenda: incontáveis corpos espalhados por todo o chão – funcionários e pacientes desmembrados e irreconhecíveis. E ali, em meio aos corpos, estava uma monstruosidade gigantesca de pele roxa que balbuciava palavras ininteligíveis enquanto sua grande língua azul caía para fora da boca. Os músculos da criatura preenchiam suas roupas apertadas de forma grotesca, enquanto sua mão segurava firmemente o que parecia ser uma serra cirúrgica. O Barão empalideceu ao olhar para o rosto do monstro e reconhecer seu antigo executor.

O executor, que não se lembrava mais de seu chefe, via apenas outro paciente que precisava desesperadamente de tratamento. A criatura roxa avançou empolgada na direção do Barão da Química enquanto balançava sua serra. Em resposta, o Barão sacou sua pistola quimtec e atirou. O disparo atravessou o amontoado de músculos à sua frente, fazendo com que o monstro cambaleasse.

Mas apenas por um instante.

O buraco criado na carne da criatura se fechou rapidamente à medida que novas camadas de músculos se formavam no local do ferimento. O monstro parou, olhou para o Barão com ar de dúvida e disse: "Você doente. Precisa ajuda!".

Imitando o que viu os antigos funcionários do manicômio fazerem incontáveis vezes, o executor jogou o homem em uma maca próxima, amarrou seus braços com as devidas contenções e começou a preparar seus instrumentos para a cirurgia. Enquanto tomava consciência do destino que o aguardava, o Barão da Química ficava cada vez mais pálido.

A cirurgia que veio a seguir, como muitas antes dela, não foi um sucesso. Diante do resultado, o médico gigantesco acrescentou os restos de seu último paciente à pilha de cadáveres já formada no chão. Mesmo triste por não os ter salvado, ele sabia que tinha feito tudo o que podia. Mas tudo ficaria bem, pois ele sabia que teria outras chances, afinal, Zaun estava cheia de pessoas doentes esperando uma cura. Com um sorriso de volta em seus lábios, o antigo executor deixou o hospital e saiu pelas ruas em busca de mais pacientes.

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